Realizada com 1.200 mães, os resultados mostram que os desafios são ainda maiores para as mulheres que estão em isolamento com um ou mais filhos pequenos


Entre julho e agosto de 2020, durante a pandemia do novo coronavírus, o CineMaterna e a Noz Pesquisa e Inteligência foram entender como estão as puérperas no isolamento social. Mais de 1.200 famílias com bebês responderam a um questionário de autopreenchimento.

Queríamos entender como as mulheres, mães de bebês pequenos, estão se sentindo no isolamento social e o quanto esta situação impactou na divisão de tarefas domésticas, vínculos familiares, renda e consumo”, explica Irene Nagashima, fundadora do CineMaterna.

O estudo é um recorte do público da iniciativa, que tem como principais características: 69% de mulheres entre 30 e 39 anos (média de 35 anos), 59% com apenas um filho e 76% com nível superior completo. 70% das respondentes são da Região Sudeste, 15% do Sul, 8% do Nordeste, 5% do Centro-Oeste e 2% do Norte do país.

Metade das mulheres sai de casa menos de uma vez por semana, normalmente para ida ao pediatra ou ao mercado. Um terço se aventura uma ou duas vezes por semana em pequenas saídas à rua para arejar com o bebê. As demais (20%) saem mais porque estão trabalhando. 

Um dado importante é que 27% afirmam estar sozinhas na maior parte do tempo durante a pandemia, um  índice 9 pontos percentuais mais baixo que pesquisa realizada um ano antes. Apesar de mais mulheres estarem acompanhadas em casa, apenas 67% delas afirmam ter apoio do pai do bebê, sem mudança de 2019 para cá. Mesmo com 9 em cada 10 das pesquisadas estarem casadas, apenas pouco mais de dois terços contam com o apoio dos parceiros. Ou seja, mais companheiros estão em casa, mas o apoio não aumentou.

Entre as 890 mulheres que estão trabalhando, metade está em home office e as opiniões sobre a modalidade variam. Há um saldo positivo para algumas – “Trabalho mais que o habitual estando em home office, contudo sou mais feliz com esta nova rotina, em especial por poder acompanhar o crescimento da minha filha” – e está puxado para outras – “Não está sendo nada fácil cuidar da casa, de um bebê de um ano e meio que não para e trabalhar no home office. Queria cuidar mais de mim”.

Apenas 10% das pesquisadas não sofreu nenhuma alteração na vida profissional. 12% teve alguma perda salarial, a maioria com queda de 25% a 50% na renda. Entre as que não estão trabalhando, 10% foram desligadas durante a pandemia e um terço deixou de procurar um trabalho. “Estou vivendo em função da minha filha e da casa. Tive que recusar duas propostas de emprego porque as escolas estão paradas. Não tenho nenhum momento que seja só meu, para descansar ou fazer outra coisa.”

Na pesquisa feita há um ano, havia preocupação de 70% das mães com uso de dispositivos eletrônicos como celulares e tablets, com seus bebês. A inquietação persiste, mas com o isolamento, o home office e as aulas suspensas, as mães acabaram precisando descobrir melhores usos e recorrer mais aos eletrônicos para conseguirem executar outras atividades.

A respeito dos desafios da parentalidade, o que está muito difícil para 85% das mães é conseguir um tempo para sua vida pessoal. Um ano antes, esta era uma questão relevante para metade das pesquisadas.

Quanto a voltar a frequentar lojas físicas, 59% têm a intenção de retomar o hábito quando a pandemia estiver mais controlada, mas um terço afirma que só retomará quando houver vacina. O consumo é um item a ser revisto por 22% das mulheres: “Repensando muitas questões, principalmente de consumo desnecessário”.

O maior desejo de 57% pesquisadas para o pós-pandemia é viajar, de longe, o item mais cobiçado. Outras aspirações são as reuniões em casa com amigos, maior atenção à saúde e retomar atividades culturais, citados por metade das mulheres.

“Só sou mãe. Deixei a mulher que sou de lado.” Este depoimento resume o estado emocional de muitas das mulheres da pesquisa. Redes de apoio sempre foram fundamentais para que as mães consigam ser livres em suas escolhas pessoais e profissionais. A pandemia dificultou o acesso a este apoio tão importante e com isso, o isolamento social tornou-se ainda mais acentuado e desafiador para as mães.